sábado, 30 de janeiro de 2010

Estou aqui!

Estou aqui...
Estou pronto!
Pronto para agarrar a vida, o momento.
Sinto-me enérgico, a regressar do torpor!
A recompor-me.
Sinto o sangue pulsar-me nas veias,
O brilho a regressar-me aos olhos,
Sinto que os meus projectos vão avançar...
Amo cada dia, por menos bom que possa parecer!
Para mim é bom, pois sinto que estou a viver,
Deixei de ser um eco de uma qualquer outra voz.
Dialogo comigo mesmo: aqui estamos nós!
Já ninguém me pára pois corro veloz...
Eu estou aqui hoje e amanhã acolá
Não há tempo para a dúvida,
O tempo, matreiro, não volta para trás!
Aguentem-me, eu estou aqui...
E espero que este exercício não me faça mal,
Vivo o agora com uma força tal
Que o rio muda o seu curso!
Eu estou,
Aqui...

Errante - 30/01/2010

Recusa!

Recuso-me a ser o muro das lamentações!
Não quero ser um mero depósito de queixas ou desilusões.
Mereço mais, quero mais, ambiciono melhor!
Posso não voltar a conhecer o amor,
Posso jamais experimentar esse tipo de dor.
Quero viver, sorrir, vibrar...
Beber um copo de vinho, sem remorso
Ver um filme que seja sem gosto,
Dormir a desoras, cheirar a fumo
Entender que há mundos neste mundo...
Quero ficar à superfície ou mergulhar fundo!
Quero viver e sentir que vivi!
Não quero que o meu tempo se esgote,
E sentir que apenas existi...
Errante 30/01/2010

Alma refrigerada

Afasta-te de mim, alma refrigerada!
Encontra o teu túmulo pois não vales nada!
És sensível á dor física;
Quanto à infligida a outrém?
É por ti ignorada.
Não fazes falta, és já cinza que o vento espalhou!
És particula divisível, dividida;
Que paira ao sabor da brisa!
Vai-te alma gelada,
Que de tanto procurar,
Nada constrói, nem encontra nada!
Afasta-te, vai para longe...
Sem ti, sou eu, sou mais que tudo!
Sem ti começo a viver,
A encontrar-me...

Errante - 01/2010